praticidade

Fevereiro 19, 2008

Sempre que há um debate filosófico, principalmente quando se fala de forma Naturalista, Existencialista ou Irracionalista, é natural que culmine na questão da praticidade. “Ás vezes, na vida, temos que ser práticos”, é algo bem comum de se escutar. Ou, talvez, algo mais imperativo como “seja prático!”.

As pessoas falam da praticidade como uma arma mágica divina. Uma arma capaz de matar os problemas da vida. Eu considero a praticidade uma arma que só pode ser usada contra “as coisas práticas da vida”, coisas do mundo da razão, logo, dos seus substratos, como a técnica. Contra a vida e as coisas que a constituem, ela não possui nenhuma efetividade, pois os problemas da vida tem em seu âmago a própria vida, onde a razão, por sua fragilidade, simplesmente não tem vez. Essa “magia” que as pessoas tanto rezam em suas “espadas” é uma magia forjada; Ela não é arte, é artefato. Um artefato, pra mim, não é nada mais que uma ferramenta. No mundo de hoje, a ferramenta tornou-se mestre de seus artífices, de seus criadores.

Pensemos então nos problemas da vida como um monstro, um dragão. As pessoas, empunhando suas espadas mágicas, pulam com fúria em cima do dragão e desferem um golpe aparentemente mortal. A morte do dragão cria a ilusão reconfortante de que o mal se desfez, mas nunca esperam que ele irá renascer em outra forma, e, talvez, mais forte. Ou melhor, nunca esperam que ele nunca tenha morrido de verdade. A couraça do monstro é destruída e seu interior desaparece. Isso ocorre por que o interior do dragão é desconhecido, invisível aos nossos olhos, e, por nossa falta de visão e de noção de sua invisibilidade, ficamos reconfortados em nossa vitória por simplesmente desconhecermos o seu conteúdo invisível.

 Há pessoas feito eu, os não práticos, os Dionisíacos. Pessoas que por falta de interesse, nunca quiseram tirar a espada da pedra por simplesmente reconhecerem que nela há uma magia forjada. Pessoas que preferem o mano a mano com o dragão, acreditando assim estarem mais perto de algo sincero e valoroso, e, com isso, mais perto da arte de viver.

Destruindo o dragão com minhas próprias mãos, poderei escancarar-lhe a couraça, sentir sua carne e ver de perto suas vísceras e seu coração.

Coisas aterradoras e maravilhosas, invisíveis aos olhos de usurários de magia forjada pelas técnicas da razão.

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